quinta-feira, 24 de setembro de 2020

LIVRO: O CORAÇÃO DA BÍBLIA A TRAJETÓRIA DE PAULO E SEU ENCONTRO COM ONÉSIMO

 LIVRO: O CORAÇÃO DA BÍBLIA

DIA:24/09/2020


PRIMEIRA SEMANA – QUINTA-FEIRA (Páginas 19 à 23)


Ler com oração:

At 13:4  Enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre.


A TRAJETÓRIA  DE PAULO E SEU ENCONTRO COM

              ONÉSIMO 


     Enquanto Paulo estava preso em Roma, foi-lhe permitido morar em uma casa alugada, onde recebia todos que o procuravam, anunciando-lhes a Palavra de Deus (At 28:30-31). Certamente, foi nesse período que Paulo pregou o evangelho a Onésimo, que era escravo de Filemom e havia fugido de seu senhor. Mas, antes de nos aprofundarmos nesse assunto, vejamos um pouco da trajetória de Paulo. 


    Quando ainda se chamava Saulo e perseguia a igreja, o Senhor lhe apareceu como uma grande luz no caminho de Damasco (At 9:1-3). Ele reconheceu o Senhor e creu, foi batizado, e logo começou a pregar o evangelho (vs. 4-12, 17-20). Saulo passou por dificuldades e voltou para Tarso, sua cidade natal, sendo resgatado por Barnabé e levado para Antioquia para viver com os irmãos da igreja naquela cidade (vs. 23-30; 11:25-26). A igreja em Antioquia era composta de gentios convertidos a Cristo. Os irmãos ali viviam com alegria e singeleza de coração, e havia liberdade no Espírito. Lá, pela primeira vez, os discípulos do Senhor foram chamados de cristãos (At 11:26).


     Nessa igreja, Paulo aprendeu a servir em coordenação com os irmãos. Certo dia, “servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram” (At 13:2-3). Foi assim que Barnabé e Paulo fizeram a primeira viagem missionária (13:4b—14:28). Eles percorreram a região da Galácia, pregando o evangelho e gerando a igreja em Listra, em Derbe e em Icônio. 


    O jovem João Marcos também os acompanhou na viagem, entretanto, diante dos sofrimentos e tribulações, os abandonou e voltou para a casa de Maria, sua mãe (At 12:12, 25; 13:13). Na volta, Paulo e Barnabé estabeleceram aqueles que mais se destacavam entre os irmãos como presbíteros nas igrejas. Estes eram irmãos novos, por isso logo foram influenciados pelos de Jerusalém, que propagavam que, além de crer em Cristo, era necessário circuncidar-se, conforme a lei. Isso trouxe perturbação nas igrejas dos gentios (15:1). 


    Barnabé e Paulo decidiram ir à Jerusalém para tratar desse assunto (At 15:2). Chegando lá, reuniram-se com os presbíteros e apóstolos para debater a questão (vs. 4-6). Pedro esclareceu que fora escolhido por Deus para levar a palavra do evangelho aos gentios, pois a porta da salvação também lhes havia sido aberta (vs. 7-11). Tiago, líder da igreja em Jerusalém, tomou a palavra e encerrou o debate, argumentando que os gentios deveriam ser deixados em paz e que precisavam apenas guardar alguns itens da lei: evitar a idolatria, a impureza sexual, a carne de animais sufocados e o sangue (vs. 13-21). Então os apóstolos e os presbíteros redigiram uma carta que deveria ser lida nas igrejas dos gentios, tendo como conteúdo a decisão que tomaram. E elegeram Silas e Judas, irmãos notáveis, para acompanhar Paulo e Barnabé (vs. 22-30). 


    A carta foi lida em Antioquia, e os irmãos se alegraram (At 15:31). Findada a missão, Judas partiu para Jerusalém e Silas resolveu permanecer ali (vs. 32-34). Paulo e Barnabé decidiram revisitar as igrejas da Galácia para verificar como estavam os irmãos. Barnabé quis levar João Marcos, seu primo (vs. 36-38), entretanto Paulo não o admitiu, pois não achava justo levar alguém que os abandonara na primeira viagem. Ele estava no início de seu ministério, por isso ainda não era maleável. “Houve entre eles tal desavença, que vieram a separar-se. Então, Barnabé, levando consigo a Marcos,

 navegou para Chipre” (v. 39). 


    Paulo tomou a Silas e partiu para rever as igrejas. Essa viagem foi marcada pelo direcionamento do Espírito, “as igrejas eram fortalecidas na fé e, dia a dia, aumentavam em número” (At 16:5). Após percorrerem a região frígio-gálata, pretendiam ir para a Ásia, entretanto foram impedidos pelo Espírito Santo de pregar a Palavra ali. Nas proximidades de Mísia, tentaram ir para Bitínia, contudo o Espírito de Jesus não o permitiu (vs. 6-7). Então, desceram a Trôade, onde Paulo teve a visão de um varão macedônio que lhes pedia ajuda. Diante disso, entenderam que precisavam ir para a Macedônia pregar o evangelho (v. 10).


     Em Filipos, primeira cidade do distrito da Macedônia, foram a um lugar de oração junto ao rio, onde encontraram um grupo de mulheres que estavam orando. Uma delas, chamada Lídia, vendedora de púrpura, os acolheu em sua casa (At 16:11-15). Nessa cidade, Paulo libertou uma jovem possessa de um espírito adivinhador (vs. 16-18). Os donos dessa jovem chamaram as autoridades e acusaram falsamente os apóstolos de perturbar a ordem da cidade (vs. 19-21). Paulo e Silas foram acoitados e detidos no cárcere interior, e lhes amarraram os pés no tronco (vs. 22-24). Possivelmente qualquer outra pessoa reclamaria com Deus por tais circunstâncias; contudo, por volta da meia noite, eles oravam e cantavam louvores, e todos na prisão os escutavam (v. 25). Que testemunho magnífico! Deus não teve outra reação, a não ser libertá-los. A terra tremeu, e os alicerces da prisão foram abalados. Todas as portas se abriram, e caíram as cadeias de todos (v. 26). O carcereiro despertou do sono e, vendo todas as celas abertas, desesperou-se e fez menção de se matar. “Mas Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos!” (v. 28). A Palavra de Deus era mais importante do que a liberdade deles, por isso ninguém fugiu da prisão. Então o carcereiro os levou para casa, cuidou deles e foi batizado, juntamente com toda a sua família (vs. 29-34). Assim foi o princípio da igreja em Filipos. Por obedecerem ao Espírito, a segunda viagem missionária foi bem-sucedida. Por fim, Paulo e Silas partiram dali. Eles deveriam ir diretamente para Antioquia, onde estava a igreja que os enviou, mas antes passaram por Jerusalém para saudar a igreja (18:22). 


    Ao final da terceira viagem missionária, novamente Paulo quis ir para Jerusalém, mesmo após seus cooperadores terem recomendado que ele não fosse para lá (At 21:4, 12). Também Ágabo, um profeta, revelou-lhe que cadeias o aguardavam em Jerusalém (vs. 10-11). Contudo Paulo prosseguiu, encontrou-se com a igreja e ali viu dezenas de milhares que zelavam pela lei (v. 20). Estes o convenceram a pagar a despesa de quatro pessoas que estavam fazendo voto (vs. 23-26). Aquele que paga a despesa se torna um com o voto, concorda com o seu cumprimento. Assim, os judeus comprovariam que Paulo não era contra o judaísmo. Ele se viu obrigado a concordar com a sugestão que lhe foi oferecida. 


    Se o voto fosse concluído, o ministério neotestamentário, confiado a Paulo, estaria acabado. Soberanamente, quando o voto estava para ser concluído, judeus vindos da Ásia viram Paulo, alvoroçaram o povo e arrastaram-no para fora do templo, procurando matá-lo (At 21:27-30). Deus usou a guarda romana para preservar a vida de Paulo, livrando-o da fúria do povo. Ele foi recolhido à fortaleza e, posteriormente, enviado, sob escolta, para Cesareia (vs. 31-34; 23:23). Lá, Paulo se fortaleceu e pôde declarar que não foi desobediente à visão celestial que havia recebido (26:19). Deus ainda poupou sua vida a fim de usá-lo para registrar a revelação da economia neotestamentária de Deus em epístolas, o que ocorreu quando ele esteve preso em Roma. Ali, Paulo registrou as visões que recebera no terceiro céu. Ele permaneceu preso por dois anos em Cesareia, até que, como cidadão romano, usou seu direito de apelar para César e foi enviado para ser julgado em Roma (25:11).


     Paulo navegou para Roma, como prisioneiro, sob guarda. Todavia, por causa das tribulações que surgiram na viagem, Deus o colocou como autoridade e confiou-lhe a vida daqueles que viajavam com ele; e, mesmo passando por naufrágio, nenhuma vida se perdeu (At 27:21-26, 33-36). Os náufragos foram acolhidos na ilha de Malta, onde várias curas e milagres ocorreram pelas mãos do apóstolo (28:1-10). Os habitantes da ilha supriram suas necessidades e os encaminharam a Roma. Chegando lá, foi permitido a Paulo alugar uma casa, onde recebia todas as pessoas que o procuravam e lhes pregava o evangelho com intrepidez (vs. 16, 23, 30-31). Todos que ali entravam, recebiam ajuda espiritual, pois ouviam a palavra do Senhor Jesus. Até mesmo a guarda pretoriana e os da casa de César ouviram a palavra e creram (Fp 1:13; 4:22). Isso mostra que a estadia de Paulo em Roma foi muito produtiva. Que, assim como o apóstolo, levemos a Palavra a todas as pessoas em todo lugar. 


    Cremos que foi nesse contexto que Paulo encontrou Onésimo e pregou-lhe o evangelho (Fm 10). Este era um escravo, provavelmente fugido de Colossos, por haver defraudado seu senhor, que encontrou o apóstolo em Roma (v. 18). Talvez, Paulo ministrasse algum tipo de treinamento em sua casa, pois vários cooperadores iam até ele. Onésimo se firmou na igreja e passou a cooperar com Paulo. 


    Como Onésimo era de Colossos, Paulo o enviou de volta para a casa de seu senhor, a fim de acertar sua vida pregressa (Fm 11, 15, 20). Ao ler a Epístola a Filemom, percebemos que talvez já tivessem ocorrido tentativas de reconciliação entre Onésimo e Filemom, mas não teriam sido bem-sucedidas. Filemom era presbítero da igreja em Colossos, abastado, e possuía escravos; um deles, Onésimo, que antes lhe tinha sido inútil, havia crido no Senhor, tornando-se útil para Deus, por isso deveria ser recebido como irmão em Cristo (v. 16). Na igreja, nenhum irmão deve sentir-se inútil, pois há espaço para todos servirem a Deus com alegria, entusiasmo e excelência.


LIVRO: O CORAÇÃO DA BÍBLIA A relação saudável entre a igreja e a obra

 LIVRO: O CORAÇÃO DA BÍBLIA

Dia: 16/09/2020



PRIMEIRA SEMANA – QUARTA-FEIRA (Páginas 14 à 19)


Ler com oração:

1 Jo 4:8  Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.


A relação saudável entre a igreja e a obra 

    Depender do Senhor permitirá concluirmos de forma brilhante nossa carreira, pois andaremos com Deus e Dele tiraremos nosso suprimento de vida: “Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças” (Cl 2:6-7). Nosso andar no viver diário tem de ser no Espírito, visando à edificação da igreja. O Senhor concedeu dons aos homens e designou uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério, para a edificação da igreja (Ef 4:11-12). A obra e a igreja são inseparáveis. Os homens dons não edificam a igreja diretamente, mas aperfeiçoam os irmãos para andar em Cristo e, assim, executar a obra de edificação do Corpo de Cristo. A obra precisa da igreja, e a igreja precisa da obra de edificação.


     Para obter materiais para a edificação do Corpo de Cristo, nós pregamos o evangelho, salvando as pessoas e introduzindo-as no viver da igreja. Os irmãos líderes têm a preocupação de envolver o maior número possível de irmãos na obra de Deus. O irmão Dong Yu Lan, um servo de Deus proativo, visionário e com muito encargo de trazer o Senhor de volta, foi muito usado para transmitir diversos encargos da parte de Deus, a fim de dinamizar a pregação do evangelho. Entre esses encargos, destacamos a criação da Editora Árvore da Vida, em 1975, com o intuito de produzir livros saudáveis, fundamentados na pura Palavra de Deus. Em seguida, surgiu o Jornal Árvore da Vida, em 1989, com o objetivo de levar a palavra atual, a presente verdade, a todos os filhos de Deus. Em 1991, veio o encargo do Expolivro, em que irmãos colportores deixam suas casas e saem com um veículo adaptado para expor os livros saudáveis de cidade em cidade. Depois, em 1992, surgiram as cooperativas de colportores, responsáveis pelo aperfeiçoamento do maior número possível de irmãos para servirem como colportores nas diversas regiões do Brasil e, assim, alcançarem mais cidades por meio da palavra impressa. Então, em 1998, surgiu o Centro de Aperfeiçoamento para a Propagação do Evangelho – CEAPE. E, em 2009, o Senhor nos deu o BooKafé, cujo objetivo é alcançar as pessoas e apascentar os filhos de Deus. 


    Com a bênção do Senhor, esses encargos estão sendo levados adiante. Muitos irmãos, mesmo sem entender o que estão fazendo, creem e prosseguem. Com isso, o testemunho da unidade da igreja tem crescido de cidade em cidade, com acréscimo de inúmeros irmãos. Com essas ferramentas, a vida da igreja se torna ainda mais dinâmica e todos os santos são encorajados a permanecer no amor de Deus. Não basta obter profundo conhecimento da Palavra, mas precisamos praticá-la, permanecendo no caminho que o Senhor tem mostrado, no primeiro amor (Ap 2:2, 4).


     Além das ferramentas citadas acima, hoje temos o Instituto Vida para Todos, que potencializou ainda mais a divulgação da palavra em vários idiomas, alcançando toda a terra. A colportagem foi revitalizada e se tornou dinâmica. Os colportores dinâmicos têm orado com as pessoas e colocado livros espirituais nas mãos delas. Foi criada também uma frente de batalha chamada Avança, Jovem!, isto é, jovens cuidando de jovens, pregando o evangelho e apascentando outros jovens mais intensamente, de maneira viva. Os irmãos de todas as igrejas têm praticado o “Posso orar por você?”. Muitas pessoas têm recebido orações e estão tendo as vidas mudadas. Recentemente o Expolivro foi revitalizado, agora, com o tema “Paixão pela leitura”, e está percorrendo às cidades levando vida para todos. 


Profunda comunhão com Deus 

    Permanecer no caminho do Senhor é andar na verdade, na graça, no amor e na luz. Deus é amor (1 Jo 4:8, 16) e Deus é luz (1:5). Sua luz se apresenta a nós como verdade. O amor, que é a natureza de Deus, chega a nós como graça. “A graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1:17b). Em Jesus, andamos na graça, na verdade, no amor e na luz, ou seja, andamos em Deus. Para praticar esse andar, necessitamos intensificar nossa comunhão vertical, com Deus, e horizontal, com os irmãos.


     Devemos aprofundar nossa comunhão com Deus, de modo a não apenas conhecê-Lo como Salvador, mas também desfrutá-Lo como Pai. Não basta conhecer a Deus como ser supremo; é preciso conhecê-Lo intimamente, achegar-se a Ele como Pai, tal qual o filho pródigo quando caiu em si e decidiu voltar aos braços do pai (Lc 15:11-24). Quando voltamos o coração ao Senhor, ao menor sinal de arrependimento, Ele corre ao nosso encontro, nos abraça e nos beija. Temos livre acesso ao Pai. Se nos aproximarmos Dele, teremos intimidade com Ele e seremos enchidos com Seu amor para viver a vida da igreja, amando todos os irmãos. Nosso relacionamento horizontal, familiar, com os irmãos e com as demais pessoas será regido pelo amor divino. 


    Na intimidade com o Pai, desfrutaremos de Sua natureza, que é amor e luz. Amaremos as pessoas e levaremos a luz do Senhor a elas. Somos o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5:13-14). Nosso papel é influenciar a humanidade, dando sabor divino à vida das pessoas, brilhando sobre elas como luzeiros e sendo referência para aqueles que estão perdidos (Fp 2:15). Não somos do mundo, por isso não podemos participar das coisas do mundo nem ser influenciados por elas (Jo 17:11-15). Pelo contrário, o Senhor nos colocou no mundo, nos santificou e nos deu Sua Palavra para influenciarmos as pessoas a buscá-Lo e a viver a vida da igreja.


    Ao pregar o evangelho do reino dessa maneira, e dar testemunho às nações, a igreja será edificada e o Senhor, quando voltar, porá fim à presente era, e estabelecerá Seu reino de justiça (Mt 24:14). O Senhor está aguardando o amadurecimento da igreja. Para amadurecer, necessitamos andar no espírito e nos encher de amor. No versículo 12 vemos que no tempo do fim o amor se esfriará de quase todos, mas, pela misericórdia do Senhor, nós estamos sendo enchidos do amor proveniente do Pai, para salvar as pessoas e ajudá-las a crescer em vida. Podemos introduzir essas pessoas nos grupos familiares de cuidado e multiplicação (GFCM), onde podem desfrutar do viver da igreja e aprender a servir a Deus.

  A eficácia da redenção de Cristo 

    – cancelou o escrito de dívida

     Dando continuidade ao nosso desfrute da Epístola aos Colossenses, a primeira coisa por que precisamos ter apreço na igreja é a redenção de Cristo. “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Cl 2:13-15). Não ouçamos as filosofias modernas, agnósticas e céticas que tentam anular a obra de Cristo. Boas obras ou meditação não anulam pecados. Somente por meio do sangue de Cristo, derramado na cruz por nós, é que recebemos perdão (1 Pe 1:18-19); basta confessarmos os pecados: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1:9). O sangue de Jesus tem eficácia eterna (Hb 9:12). 


    Quando alguém deixa de pagar uma dívida, o credor se dirige ao cartório e apresenta a nota promissória para protesto, e fica registrado que aquela pessoa possui uma dívida. O Senhor Jesus morreu em nosso lugar, lavou-nos com Seu sangue e cancelou o escrito de dívida que havia contra nós. Essa dívida que nos era prejudicial e constava de ordenanças foi removida e encravada na cruz. Não há mais registro algum de dívida nem paira acusação sobre nós. Quando os principados e potestades olham para nós, veem o sangue de Cristo. 


A EPÍSTOLA DE PAULO A FILEMOM

 Amor ágape – o último estágio

    do crescimento de vida 

    O cuidado da igreja pelo apóstolo Paulo expressa o profundo amor entre os irmãos. A Epístola a Filemom apresenta o amor ágape, que é o caminho para alcançarmos o último estágio de nosso crescimento de vida. O amor é, também, o alicerce para o aperfeiçoamento dos irmãos, com vistas à edificação da igreja. Estejamos “arraigados e alicerçados em amor” (Ef 3:17). O alicerce refere-se à edificação, e a raiz relaciona-se ao crescimento de vida; somos “lavoura e edifício de Deus” (1 Co 3:9). À medida que a vida divina cresce em nós, nós nos tornamos o edifício de Deus, Sua habitação. 


    Um dia o edifício de Deus será concluído, e não haverá materiais espalhados pelo terreno, pois todos estarão no devido lugar. A edificação se dá por meio do encabeçamento de Cristo. Na consumação desta era, Ele encabeçará todas as coisas do universo. Todavia para nós isso já é realidade, pois o encabeçamento de Cristo começa pela igreja. Nosso viver, nosso relacionamento com os irmãos e com as demais pessoas devem estar debaixo desse encabeçamento, assim como tudo o que fizermos. 


    O apóstolo Pedro descreveu, em sua epístola, o processo de crescimento da vida divina em nós, que se inicia com a fé. Assim, devemos associar com a fé, a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; e com a piedade, a fraternidade, isto é, o amor fraternal (2 Pe 1:5-7). Contudo há outro patamar a ser alcançado, que é o amor ágape. Esse amor é manifestado na igreja. Quanto mais crescemos na vida divina, mais manifestamos o amor ágape, pois Deus é amor (1 Jo 4:16). Para que nada atrapalhe nosso crescimento, devemos perdoar uns aos outros. O Senhor perdoou nossa dívida, perdoemos também nossos conservos (Mt 18:23-35). Que não haja soberba, altivez ou conflito no relacionamento com os irmãos, pois somos membros uns dos outros.


LIVRO: O CORAÇÃO DA BÍBLIA A EPÍSTOLA DE PAULO AOS FILIPENSES Cooperação, confirmação e defesa do evangelho

 LIVRO: O CORAÇÃO DA BÍBLIA

Dia 15/09/2020



PRIMEIRA SEMANA – TERÇA-FEIRA (Páginas 10 à 14) 


Ler com oração:

Fp 3:14  prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.


A EPÍSTOLA DE PAULO AOS FILIPENSES

 Cooperação, confirmação e defesa do evangelho 


    A Epístola aos Filipenses mostra que a meta da igreja é o progresso do evangelho. A vida da igreja não é estática, e sim dinâmica, com movimento. Nela, avançamos para as coisas que estão à nossa frente, a fim de alcançarmos patamares superiores de crescimento (Fp 3:13-14). O progresso do evangelho visa à maturidade dos filhos de Deus e ao aumento da expressão de Cristo e a igreja na terra. 


    O avanço do evangelho está diretamente relacionado à manifestação do amor de Deus em nós. Quem não ama não conhece a Deus (1 Jo 4:8) e não prega o evangelho, pois pregar o evangelho é expressar o amor de Deus. O amor do Senhor pelas pessoas provinha de Seu íntimo (Mt 9:36). Igualmente, Paulo dispensava às igrejas entranhados afetos de misericórdias, um amor que vinha das entranhas, do mais íntimo de seu ser (Fp 2:1). A igreja em Filipos, assim como o apóstolo, com profundo amor cooperava, confirmava e defendia o avanço do evangelho (1:5, 7). 


    Nenhuma outra igreja se associou a Paulo na questão de dar e receber (Fp 4:15). Quando alguém se associa a uma obra, torna-se participante dela. A igreja em Filipos era sócia do apóstolo, cumprindo seu papel de participante da obra de Deus. Os filipenses foram aperfeiçoados por Paulo e estavam em unidade com ele, apoiando-o e suprindo-o. Assim, nessa cidade, temos um modelo de igreja que estava em sintonia com a obra.


 A EPÍSTOLA DE PAULO AOS COLOSSENSES 

      Cristo versus ideologias 


    A Epístola aos Colossenses foi escrita para ajudar a igreja em Colossos a lidar com a influência do gnosticismo, do ceticismo e do misticismo. Essas ideologias trazem dano para a igreja e impedem seu avanço. Devemos fechar as brechas para que esse tipo de influência não abale a fé e a edificação da igreja. Principalmente os líderes das igrejas devem estar atentos para não permitir que filosofias, ideologias e vãs sutilezas entrem na igreja. Essas coisas se apresentam de modo inocente, conduzindo as pessoas a fazerem o bem, mas, quando menos se percebe, abre-se uma porta para os principados e as potestades exercerem influência na igreja, pois a fonte dessas ideologias é a árvore do conhecimento do bem e do mal, que representa Satanás e os anjos caídos. Por causa desse desvio, os colossenses começaram a duvidar de Cristo e a propalar mistérios. Em nosso meio, somente Cristo deve ser exaltado. Devemos desfrutar apenas da árvore da vida, a pura palavra de Deus. 


    Um grande desafio que os cristãos enfrentam, hoje, consiste em sair da superficialidade e se aprofundar no conhecimento de Cristo. A Epístola de Paulo aos Colossenses ajuda-nos nessa tarefa, pois revela o mistério de Deus, que é Cristo (2:2). Em Cristo habita toda a plenitude da Divindade (v. 9). Nele, estão todos os tesouros da sabedoria (v. 3). Ele é a imagem do Deus invisível (1:15), a expressão exata do Seu ser. Esse Cristo maravilhoso se manifesta às pessoas por intermédio da igreja. 


    O apóstolo Paulo, com muita sabedoria, revelou-lhes o seguinte: “O mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória; o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo” (Cl 1:26-28). Cristo é a riqueza da glória de Deus, e Cristo em nós é a esperança da glória. Essa é a verdadeira sabedoria que vem do alto e é percebida pela unção do Espírito. Então, quando temos comunhão com Deus, a intuição traz-nos sabedoria.


     A sabedoria de Deus se manifesta na igreja, a fim de apresentar todo homem perfeito em Cristo. Quando anunciamos o evangelho e uma pessoa crê, devemos introduzi-la no viver da igreja. Ali, ela será cuidada com o propósito de crescer em vida até alcançar a maturidade e ser apresentada perfeita em Cristo (v. 28). Nossa função, na igreja, é pregar o evangelho e zelar para que os frutos cresçam e sejam aprovados por Deus. Para tanto, é necessário desfrutarmos do Espírito, enchendo-nos de entusiasmo, a fim de incluir todos os irmãos na igreja. 


    Paulo lutava para que os irmãos fossem libertos da influência de ideologias malignas e fossem aceitos pelo Senhor: “Gostaria, pois, que soubésseis quão grande luta venho mantendo por vós, pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face; para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl 2:1-3). Não há registros de que Paulo tenha ido a Colossos, entretanto Epafras, um de seus cooperadores, supria as igrejas naquela cidade com o falar do apóstolo, com a palavra de Deus (1:7; 4:12; Fm 23). A igreja em Laodiceia, por dar atenção a filosofias, caiu em uma condição de mornidão espiritual (Ap 3:16). Por isso o Senhor não estava no meio dos irmãos ali, mas estava à porta, do lado de fora, pedindo para entrar (v. 20). 


Invocar o nome do Senhor para experimentá-Lo 

    Uma vez que já haviam recebido Cristo, os irmãos de Colossos precisavam praticar a Palavra: “Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças” (Cl 2:6-7). Por meio de Epafras, irmão amável e fiel, Deus enviava Sua palavra para edificar a igreja e firmar os irmãos na fé em Cristo. Deus se encarnou em Jesus, viveu na terra, morreu na cruz, ressuscitou, ascendeu aos céus e se tornou o Espírito que dá vida. Assim, todo aquele que invocar o nome do Senhor Jesus receberá a vida de Deus (Rm 10:13; cf. Jo 20:31). E, se continuamente invocarmos esse nome, mais da vida divina será acrescentada a nós, possibilitando que andemos e tenhamos raízes Nele, de modo a sermos, assim, firmados em Deus. 


    Quando invocamos o nome do Senhor, desfrutamos de Suas riquezas (Rm 10:12). Mediante o contínuo desfrute e o exercício da fé, um dia, habitaremos com o Senhor e estaremos para sempre com Ele: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também” (Jo 14:1-3). Muitos entendem essa volta do Senhor como Sua segunda vinda, e supõem que Jesus está demorando a voltar porque está edificando uma mansão celestial para Seus filhos. Entretanto essa volta não se refere à segunda vinda de Cristo; ela já aconteceu. O Senhor, após a crucificação e a glorificação, retornou como o Espírito que dá vida, como o outro Consolador (vs. 16, 18). Dessa maneira, depois que cremos Nele, o Espírito se mesclou ao nosso espírito. Agora, o Senhor, como o Espírito da realidade, estará para sempre conosco (7:39). 


    Como o Espírito, Cristo nos transmite todas as Suas riquezas. Ele é tudo para nós (Cl 3:11b). Na vida da igreja, nós desfrutamos Cristo e O amamos. Todo aquele que O ama, guarda a Palavra e se torna habitação do Pai (Jo 14:23). Somos a habitação de Deus no espírito. O Senhor Jesus, como o Espírito da realidade dentro de nós, nos ensina todas as coisas e nos guia à verdade. Não há o que temer, pois, quando invocamos o nome do Senhor, voltamo-nos ao Espírito e somos guiados por Ele. Quando clamamos: “Ó Senhor Jesus!”, reconhecemos o senhorio de Jesus e nos conectamos imediatamente com Deus, em nosso espírito.


PREFÁCIO... LIVRO: O CORAÇÃO DA BÍBLIA

 PRIMEIRA SEMANA – SEGUNDA-FEIRA (Páginas 5 à 10)


Ler com oração:

Gl 4:7  Assim, você já não é mais escravo, mas filho; e, por ser filho, Deus também o tornou herdeiro.


PREFÁCIO

    Várias epístolas do Novo Testamento foram escritas pelo apóstolo Paulo. Se incluirmos a Epístola aos Hebreus a esse conjunto de livros, teremos quatorze cartas, o que representa mais da metade do Novo Testamento. Cada epístola tem especificidade, teor, destinatário, época, circunstâncias e pano de fundo distintos. Somente o Espírito Santo é capaz de ordenar os livros dessa forma, colocando-os à disposição para nosso crescimento espiritual. 


    Este livro apresenta, de maneira sucinta, os principais temas de sete das epístolas escritas pelo apóstolo Paulo. Dentre essas, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom, que, juntas, formam o que o autor denominou “O coração da Bíblia”. Embora essa designação tenha sido dada por outro servo de Deus, usufruí-la é uma forma de compartilhar com os leitores um legado que não pode restringir-se a um pequeno número de filhos de Deus. 


    As epístolas de Romanos e de Primeira Coríntios, embora possuam teores distintos, se mesclam de maneira impressionante. Por causa da inversão de sua ordem nas Escrituras, inicialmente parecia impossível estabelecer qualquer tipo de associação entre elas. Contudo o Espírito Santo nos surpreende ao revelar uma relação entre solução e problema que não seria possível aos olhos humanos. 


    Nos capítulos a seguir abordaremos assuntos como: não desistir das pessoas problemáticas, mas ajudá-las a vencer suas dificuldades, tornando-as úteis para Deus, para a Sua obra e para a igreja; a oposição entre a justificação pela fé e a justificação pelas obras da lei; a salvação completa do homem tripartido, a eleição de Deus, a vida prática e dinâmica da igreja; o desfrute de Cristo como comida e bebida, que culmina na edificação da igreja como a lavoura que se tornará o edifício de Deus; a ressurreição de Cristo e os princípios relacionados às ofertas. Esses temas serão desenvolvidos e aplicados de maneira viva, pautados nos versículos que os fundamentam. 


    Querido leitor, que, ao desfrutar este livro, você seja transportado para um nível de edificação que o capacite a trazer o Senhor Jesus de volta! Deus o abençoe!

          São Paulo, julho de 2020.

          Os editores.

 

          Capítulo um

 O CONTEÚDO CENTRAL DA BÍBLIA


 A revelação da economia de Deus 


    No Novo Testamento, cinco epístolas se destacam por revelar a economia de Deus: Gálatas, Efésios, Colossenses, Filipenses e Filemom. A revelação nelas contida leva-nos para as regiões celestiais. Se comparadas com os demais livros do Novo Testamento, podemos afirmar que essas cartas constituem o conteúdo central – ou o coração – da Bíblia. Esse grupo de epístolas também pode ser representado por um avião. O livro de Gálatas corresponde à fuselagem, o corpo do avião, pois trata da ideia central do plano de Deus; Colossenses, que revela o mistério de Deus: Cristo, e Efésios, que revela o mistério de Cristo: a igreja, simbolizam as asas da aeronave; Filipenses representa o desenvolvimento do voo, pois trata do progresso do evangelho; e, por fim, o livro de Filemom, que revela o aspecto prático do amor de Deus, refere-se à pista de pouso e decolagem, uma base bem pavimentada que suporta o peso do avião e permite que este decole. 


    Neste capítulo, falaremos de modo resumido sobre essas cartas e daremos especial atenção às Epístolas aos Colossenses e a Filemom, que possuem estreita relação por conta de Filemom ter sido um dos presbíteros da igreja em Colossos.


 A EPÍSTOLA DE PAULO AOS GÁLATAS 

 O processo de crescimento na vida divina 


    O Unigênito de Deus encarnou-se e realizou a obra de redenção. Cristo nos justificou diante do Pai e tornou-se o primogênito de muitos irmãos. Em Cristo recebemos a filiação, ou seja, tornamo-nos os muitos filhos de Deus. Então o Pai nos introduziu na igreja, onde espera que amadureçamos na vida divina. Atingindo a maturidade, nós nos tornaremos herdeiros de Deus e reinaremos com Cristo no reino vindouro (Rm 8:17; Hb 2:5-6). Deus não entregará o governo do mundo que há de vir aos anjos, e sim a Seus filhos maduros. Para cumprir esse propósito, Jesus, nosso irmão mais velho, nos está encabeçando e suprindo de vida na igreja. 


    A Epístola de Paulo aos Gálatas revela o processo de filiação divina (Gl 4:1-7). Leiamos: “Digo, pois, que, durante o tempo em que o herdeiro é menor, em nada difere de escravo, posto que é ele senhor de tudo. Mas está sob tutores e curadores até ao tempo predeterminado pelo pai” (vs. 1-2). No princípio, éramos como crianças, porém, com o auxílio dos tutores e curadores, presentes na igreja, crescemos e saímos da fase de crianças espirituais.


     Com a ajuda dos irmãos mais maduros, os tutores e curadores, avançamos em nossa experiência de crescimento de vida, conforme lemos: “Assim, também nós, quando éramos menores, estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo; vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4:3-4). Deus tornou-se carne, isto é, Jesus era o Deus encarnado (Jo 1:1, 14). Ele veio em carne para cumprir as altíssimas exigências da lei, que ordenava o derramamento de sangue para a redenção (Hb 9:22).


     Pela redenção de Cristo, fomos resgatados da condenação da lei: “Para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4:5). A expressão “adoção de filhos”, segundo o original grego, é huiothesía, que significa filiação. Dessa forma, a tradução literal não é que somos filhos “adotivos”, mas filhos legítimos e maduros de Deus (Jo 1:12-13; 1 Jo 5:11-12). Desse modo, a finalidade da redenção é a filiação, isto é, sermos filhos maduros de Deus. 


    Vemos na continuação: “Porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” (Gl 4:6). Nesse versículo, a palavra “filho”, em grego, é huiós, indicando um filho crescido, maduro, que, por ter-se submetido aos tutores e curadores, ao longo de sua vida cristã, deixou de ser “filho menor” (v. 1) e amadureceu, não estando mais sujeito aos rudimentos do mundo. Ele, então, clama: “Aba, Pai!”, reconhecendo que, de fato, é filho de Deus. 


    No fim de nossa longa caminhada cristã, tendo a vida da igreja como ambiente para crescermos, alcançaremos a meta de Deus: “De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus” (Gl 4:7). Esse filho maduro, agora, se torna herdeiro por Deus. Assim, prosseguindo na igreja, conheceremos a Deus intimamente e nos encheremos de Sua vida e de Seu Espírito. E, assim, de filhos menores nos tornaremos filhos herdeiros, os filhos amados de Deus Pai, e seremos Seus imitadores.


 A EPÍSTOLA DE PAULO AOS EFÉSIOS

 A visão e a prática do mistério de Cristo, a igreja


     A igreja é o mistério de Cristo, que foi revelado pelo apóstolo Paulo na Epístola aos Efésios. Na igreja conhecemos a multiforme sabedoria de Deus. Desse modo, todo aquele que almeja amadurecer e aprender mais de Cristo deve estar na igreja, pois é através dela que O conhecemos. 


    Sob a inspiração do Espírito Santo, o apóstolo Paulo escreveu uma de suas cartas mais ricas, a Epístola aos Efésios. Esse livro é composto de seis capítulos, e podemos dividi-los em duas grandes porções. Os primeiros três capítulos desvendam o propósito eterno de Deus, trazendo uma clara visão da vontade de Deus para Seus filhos; e os últimos três descrevem o caminho prático para tornar essa visão real. 


    Sendo assim, logo no primeiro capítulo vemos a bênção e a obra do Pai, do Filho e do Espírito. O Pai nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, e nos predestinou para sermos filhos maduros; o Filho nos redimiu e encabeça todas as coisas; e o Espírito nos selou, tornando-se o penhor de nossa herança. O resultado da bênção e da obra do Deus Triúno é a igreja, o Corpo de Cristo (Ef 1:1-14, 22-23). 


    O segundo capítulo descreve a condição dos materiais para a edificação da igreja e o labor da graça. Inicialmente, estávamos mortos em nossos delitos e pecados, mas Deus, com Seu amor, misericórdia e graça, fez-nos feitura Dele. Somos a obra-prima de Deus. A suprema grandeza de Sua graça nos está tornando materiais adequados, e estamos sendo edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas – Cristo Jesus, a pedra angular (Ef 2:1-2, 4, 7, 10, 20). 


    No terceiro capítulo, o apóstolo Paulo mostra como deve ser o coração de um despenseiro de Deus, compartilhando com seus conservos as revelações que recebeu, a fim de que tenham a mesma visão e propósito. Vemos, também, que somente com todos os irmãos podemos compreender as dimensões do amor de Cristo, ou seja, a largura, o comprimento, a altura e a profundidade desse amor. 


    Os três últimos capítulos mostram o caminho para colocar em prática a visão que recebemos nos três primeiros capítulos. Nos capítulos quarto e quinto, Paulo nos encoraja a andar conforme nosso chamamento. Esse andar tem, pelo menos, cinco características: andar na graça, que é acrescentada a nós à medida que exercitamos nossos dons (4:7); andar na verdade, evitando viver sob a vaidade de nossos pensamentos e buscando conhecer a Cristo de maneira subjetiva (v. 17); andar no amor, a fim de abençoar outros (5:2); andar na luz, que nos permite agradar ao Senhor (v. 8); e, por fim, andar no Espírito, que inclui todos os demais aspectos desse andar (v. 18). No Espírito encontramos a graça e a verdade do Filho (Jo 1:17), e o amor e a luz do Pai (1 Jo 1:5; 4:8).


     Ainda nos capítulos quinto e sexto, temos os quatro aspectos práticos da vida da igreja: o viver de reuniões (5:18-21); o viver familiar (5:22—6:4); o viver social (6:5-9); e a batalha espiritual (6:10-20).